“Exclusivos são coisa do passado”, diz Sarah Bond — o futuro do Xbox pode mudar para sempre

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Lucas Gonçalves

10/25/20254 min ler

Nos últimos dias, o mundo dos games ficou em polvorosa depois que Sarah Bond, presidente da Xbox, afirmou em uma entrevista que “os jogos exclusivos são coisa do passado”. A declaração caiu como uma bomba na comunidade gamer e reacendeu um velho debate: será que ainda faz sentido brigar por exclusivos em plena era dos serviços e do cross-play?

O que Sarah Bond realmente quis dizer

Durante uma conversa com a Mashable, Sarah Bond explicou que a visão da Xbox para o futuro é menos sobre “em qual console você joga” e mais sobre “onde e como você quer jogar”. Ela citou exemplos como Minecraft, Fortnite, Call of Duty e Roblox, ressaltando que os maiores jogos do mundo hoje estão disponíveis em múltiplas plataformas — e é justamente isso que faz a indústria crescer.

“A ideia de trancar um jogo a um único dispositivo ou loja é algo antiquado. Os jogadores evoluíram além disso”, disse Bond.

Ou seja, na visão dela, o futuro da Xbox está menos em vender consoles e mais em oferecer um ecossistema acessível, seja por nuvem, PC, console ou até mobile. E, convenhamos, isso faz todo sentido quando lembramos que o foco da Microsoft tem sido o Game Pass e o jogo em qualquer lugar.

Exclusivos ainda importam?

A fala de Sarah Bond divide opiniões. De um lado, muita gente concorda que estamos vivendo uma nova fase dos games. Hoje, títulos como Helldivers 2 ou Baldur’s Gate 3 mostram que o sucesso vem mais da comunidade unida do que da limitação de plataforma.

Mas, por outro lado, o público mais tradicional lembra que PlayStation e Nintendo ainda reinam graças aos seus exclusivos. Franquias como The Last of Us, God of War, Zelda e Mario continuam sendo o principal motivo de muitos jogadores escolherem determinado console.

E é exatamente aí que mora a polêmica: será que abandonar exclusivos pode fazer o Xbox perder sua identidade?

A estratégia por trás da fala

Sarah Bond não está apenas “largando os exclusivos” por filosofia — há uma estratégia clara por trás disso. A Microsoft vem há anos transformando o Xbox em uma plataforma de serviços.

Com o Xbox Game Pass, a empresa quer que você jogue em qualquer dispositivo — não importa se é um Series X, um notebook modesto ou até o celular via xCloud. A ideia é simples: quanto mais gente jogando, melhor.

Além disso, a Microsoft agora é dona de gigantes como Bethesda e Activision Blizzard, o que significa que ela pode escolher onde e quando lançar grandes títulos como Elder Scrolls VI ou Call of Duty. E liberar esses jogos para outras plataformas, no fim das contas, pode render muito mais dinheiro.

Reação da comunidade

Como sempre, a internet não perdoou. No Reddit e no X (antigo Twitter), as opiniões se dividiram entre quem viu a fala como uma “evolução natural” e quem enxergou isso como um “fim da alma Xbox”.

Alguns comentários diziam:

“Eles estão destruindo o conceito de console. O que vai sobrar para o Xbox?”

Enquanto outros celebravam:

“Se eu puder jogar tudo em qualquer lugar, ótimo! O futuro é multiplataforma mesmo.”

Até o ex-presidente da Blizzard, Mike Ybarra, entrou na conversa e provocou:

“Alguém avisa a Nintendo que os exclusivos são coisa do passado?”

Ou seja, o debate está longe de acabar.

O que isso pode significar para o futuro

Se a Xbox realmente seguir por esse caminho, podemos estar presenciando o fim da era dos exclusivos. E isso pode mudar completamente como jogamos e consumimos games.

Alguns possíveis cenários:

  • Mais foco em serviços e assinaturas: o Game Pass deve continuar sendo o centro da estratégia.

  • Menos guerras de console: em vez de “Xbox vs PlayStation”, veremos “quem tem o melhor ecossistema de jogos”.

  • Jogos acessíveis para mais pessoas: especialmente em países como o Brasil, onde o preço de consoles é alto, poder jogar via nuvem pode ser revolucionário.

  • Concorrência diferente: enquanto Xbox aposta em “jogar em qualquer lugar”, a PlayStation e a Nintendo devem continuar valorizando a exclusividade e o poder de suas IPs.

O equilíbrio entre acessibilidade e identidade

Apesar da visão moderna da Xbox, existe um risco: se tudo for multiplataforma, o que vai diferenciar a marca? Parte da magia do console está em ter aquele jogo que só existe ali, que define uma geração — como Halo foi para o Xbox original.

Sarah Bond parece acreditar que a identidade do Xbox pode se sustentar na inovação tecnológica e no serviço ao jogador, não em exclusividade. É uma aposta ousada, mas que pode dar certo se a empresa conseguir manter qualidade e grandes lançamentos no catálogo.

A declaração de Sarah Bond de que “os exclusivos são coisa do passado” marca mais um capítulo na transformação da Xbox em um serviço global de jogos. Pode soar chocante para quem cresceu em guerras de console, mas talvez seja apenas o reflexo de um mercado que está cada vez mais conectado.

Se essa mudança vai fortalecer ou enfraquecer a marca Xbox, só o tempo vai dizer. Mas uma coisa é certa: o futuro dos games será menos sobre “em qual console você joga” e mais sobre “como você joga e com quem joga”.

E aí, você concorda com a Sarah Bond ou ainda acredita que os exclusivos são a alma dos videogames?