Ex-funcionários da Build a Rocket Boy denunciam o estúdio de MindsEye e exigem desculpas públicas

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Lucas Gonçalves

10/15/20253 min ler

A Build a Rocket Boy, estúdio fundado por Leslie Benzies (ex-produtor de GTA), está no meio de uma baita polêmica. Depois do lançamento turbulento de MindsEye, ex-funcionários vieram a público denunciar o estúdio por más práticas trabalhistas e exigem um pedido de desculpas oficial, além de compensações.

E o caso está pegando fogo…

O que está acontecendo com a Build a Rocket Boy?

Mais de 100 ex-funcionários e desenvolvedores atuais da Build a Rocket Boy assinaram uma carta aberta denunciando o estúdio por uma série de problemas internos. Entre as principais acusações estão:

  • Demissões em massa sem transparência

  • Jornadas de trabalho excessivas (o famoso crunch)

  • Falta de pagamento por horas extras e promessas não cumpridas

  • Comunicação interna confusa e gestão caótica

  • E até impacto na saúde mental dos devs, que relatam burnout e estresse extremo

Segundo o sindicato britânico IWGB Game Workers, o estúdio pode ter violado leis trabalhistas e será alvo de ações judiciais nos próximos meses.

A carta aberta e o pedido de desculpas

A carta publicada nas redes denuncia práticas “abusivas e desumanas” dentro do estúdio e exige um pedido de desculpas público da direção da Build a Rocket Boy.

Além disso, os ex-funcionários pedem compensação financeira, transparência sobre as demissões e mudanças reais na forma como o estúdio lida com seus times.

O documento também critica as declarações recentes de líderes da BARB, que teriam tentado culpar “sabotadores” internos pelo lançamento problemático de MindsEye.

O fiasco de MindsEye foi o estopim

O lançamento de MindsEye em junho de 2025 foi um desastre. O jogo, que prometia ser um “GTA futurista” misturado com narrativa cinematográfica, chegou cheio de bugs, problemas de desempenho e críticas pesadas da imprensa especializada.

Pouco depois do lançamento, começaram as demissões. Muitos funcionários afirmam que foram dispensados de forma repentina, sem aviso prévio e sem compensações adequadas.

Esses cortes acabaram virando o ponto de virada que levou os ex-funcionários a se unirem para denunciar a situação publicamente.

A resposta do estúdio

Em nota, a Build a Rocket Boy disse que as demissões foram “uma decisão difícil”, mas “necessária para garantir o futuro do estúdio”. A empresa também afirmou que “pretende aprender com os erros e melhorar seus processos internos”.

Apesar disso, os ex-funcionários afirmam que o discurso não corresponde à prática — e que os problemas continuam acontecendo, especialmente para quem ainda trabalha lá.

Por que esse caso importa

Essa história vai além de MindsEye. Ela mostra o quanto a indústria de games ainda precisa evoluir nas relações de trabalho. Casos de crunch, abusos e demissões em massa sem transparência são cada vez mais comuns, e a comunidade está começando a cobrar mais responsabilidade dos grandes estúdios.

Além disso, a polêmica levanta uma questão importante: como equilibrar ambição criativa com o bem-estar de quem faz o jogo acontecer?

E agora?

O sindicato britânico já está preparando ações legais contra a Build a Rocket Boy. Se os processos avançarem, o estúdio pode ser obrigado a pagar indenizações e a mudar suas políticas internas.

Enquanto isso, a imagem da empresa — e de MindsEye — fica manchada. E o público gamer, que já não perdoa lançamentos problemáticos, agora vê o estúdio com ainda mais desconfiança.

O caso Build a Rocket Boy é mais um lembrete de que os games não nascem do nada: eles são feitos por pessoas, com prazos apertados, pressão e expectativas enormes.
E quando essas pessoas se unem para exigir respeito, é sinal de que algo precisa mudar.

Se a empresa quiser se reerguer, vai ter que fazer mais do que pedir desculpas — vai precisar provar, na prática, que aprendeu com os erros.