Comunidade se revolta com Clair Obscur ficar de fora do Grammy 2026 de Melhor Trilha Sonora

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Lucas Gonçalves

11/10/20254 min ler

O anúncio dos indicados ao Grammy 2026 na categoria de Melhor Trilha Sonora para Videogames e Outras Mídias Interativas deixou muita gente de queixo caído. Entre nomes esperados como Helldivers 2, Star Wars Outlaws e Assassin’s Creed Shadows, um título estava inexplicavelmente ausente: Clair Obscur: Expedition 33.

E foi o suficiente para incendiar a comunidade gamer e musical. Afinal, como é que uma das trilhas mais elogiadas do ano, assinada por Lorien Testard, ficou de fora da maior premiação da música?

A trilha que todo mundo amou (menos o Grammy)

Desde o lançamento, Clair Obscur: Expedition 33 conquistou crítica e público com uma trilha sonora cinematográfica e emocionante, misturando tons clássicos, corais e melodias em francês. A obra foi tão bem recebida que ficou dez semanas no topo da parada de álbuns clássicos da Billboard, algo raríssimo para um jogo independente.

Em fóruns e redes sociais, fãs e músicos aclamaram o trabalho como um dos mais marcantes dos últimos tempos. Até Austin Wintory, compositor de Journey e indicado ao próprio Grammy, chegou a dizer que trocaria sua vaga pela de Clair Obscur — um elogio e tanto vindo de um veterano.

Mas quando a lista oficial saiu… nada de Clair Obscur. E foi aí que começou a revolta.

A internet não perdoou: “Eles ignoraram uma obra-prima”

O Reddit, o X (antigo Twitter) e comunidades de música e games ficaram cheios de mensagens indignadas. Comentários como “definitely deserves it” e “the soundtrack is perfect” se multiplicaram, acompanhados de críticas diretas à Recording Academy, responsável pelo Grammy.

Um dos comentários mais curtidos dizia tudo:

“If you’re not kissing the industry’s ass, you’re not getting nominated.”

Muitos fãs apontaram que a trilha foi oficialmente submetida para consideração — ou seja, não foi falta de inscrição. O problema, segundo eles, seria outro: falta de visibilidade e preconceito com produções fora do eixo americano.


Vale lembrar que Clair Obscur é uma produção francesa, com forte identidade cultural europeia. E, como alguns comentaram, “parece que isso não conta tanto na hora da votação”.

Por que Clair Obscur pode ter sido deixado de fora

A Recording Academy ainda não se pronunciou sobre o caso, mas há algumas hipóteses plausíveis sobre o que pode ter acontecido:

1. Problemas de elegibilidade

O Grammy tem regras rígidas sobre janelas de lançamento. Se a trilha foi publicada fora do período de qualificação — mesmo que o jogo tenha sido lançado antes —, isso já pode ter desclassificado a obra automaticamente.

2. Falta de lobby e visibilidade

Embora o Grammy seja uma premiação musical, não dá pra negar que o “peso da marca” influencia. Jogos de grandes estúdios, com campanhas de marketing milionárias, acabam tendo mais olhos sobre eles. Já produções menores, como Clair Obscur, dependem muito do boca a boca — e isso às vezes não é o bastante para atravessar os bastidores da indústria.

3. “Francês demais” pro gosto americano

Outro ponto levantado por fãs é que a trilha de Clair Obscur é fortemente europeia — orquestral, lírica e com vocais em francês. Isso pode ter soado “menos comercial” para jurados acostumados a produções hollywoodianas.

4. A preferência por franquias

A lista de indicados inclui nomes conhecidos, como Star Wars e Assassin’s Creed, mostrando que o Grammy tende a dar espaço para marcas consolidadas.
Isso levanta uma questão: será que as premiações ainda olham mais para o nome do jogo do que para a qualidade artística em si?

A categoria ainda é nova (e confusa)

Vale lembrar que a categoria de Melhor Trilha Sonora de Videogames é recente — foi criada apenas em 2023. Desde então, há um esforço para dar mais espaço aos compositores de games, mas os critérios ainda parecem nebulosos.

Enquanto alguns acreditam que isso é só o começo e que ajustes virão com o tempo, outros já enxergam o Grammy como “fora de sintonia” com a comunidade gamer, que hoje consome e valoriza trilhas sonoras tanto quanto álbuns de cinema.

A vitória moral da comunidade gamer

Mesmo sem a indicação, Clair Obscur já saiu vitorioso. O álbum continua sendo elogiado, reproduzido em shows, e virou um símbolo de como os games estão elevando o nível da música contemporânea.

Além disso, a indignação da comunidade fez o nome do jogo voltar aos trending topics, reacendendo o interesse pelo título — e mostrando que reconhecimento popular vale tanto quanto um troféu dourado.

Essa mobilização também gera um impacto positivo: mais visibilidade para trilhas independentes e mais pressão sobre o Grammy para repensar seus critérios.

O Grammy pode ter ignorado, mas o público não

A exclusão de Clair Obscur: Expedition 33 do Grammy 2026 pode até ter sido um golpe frustrante, mas ela também provou algo maior: que a comunidade gamer sabe reconhecer arte quando vê — e quando ouve.

Enquanto o Grammy tenta decidir o que é “digno de premiação”, Clair Obscur segue encantando quem realmente importa: os jogadores, os músicos e os fãs de trilhas sonoras inesquecíveis.

Se o Grammy não viu, problema dele. A gente viu e ouviu uma das trilhas mais emocionantes dos últimos anos.